domingo, 15 de julho de 2018

laudo

Há meses tento de alguma forma me esvair
pensei que chorando talvez resolvesse
não tenho lagrimas
elas estão secas ou empedradas
talvez seja mesmo a segunda opção
porque dói

dói porque elas não vêem
a angustia só cresce
o desespero aparace

talvez eu precise encontrar um jeito de canalizar tudo que há dentro de mim
não é pouco
não sei dizer da procedência
se bom
ou
se ruim

é como uma tonelada de coisas dentro de um armário
mas eu não consigo abrir a porta
talvez eu nem queira
porque vai ter lambança pra todo lado

mas é preciso
e eu não consigo

já é o limite
pra onde vai o que não couber?

falando em armário, em guardar coisas dentro dele
parece conveniente
mas não é
é perturbador
e ele me suga pra dentro dele

é como um paradoxo
pensando bem
é meu e ao mesmo tempo
o controle disto não parece estar nas minhas mãos

já é o limite

todos os dias eu penso nisso tudo
todos os dias eu penso que vou enlouquecer

eu estou adoecendo de mim






aracaju, julho de 2018.
céu e inferno
loucura e sanidade
apatia e excitação
desespero e gozo

o gozo que ainda não veio depois de você
exceto pelas minhas próprias mãos.


aracaju, julho de 2018

implosão

Estourada na luz da fotografia feita de frente ao sol 
Estourada por dentro, onde ninguém verá 
Pilha quando estoura dentro do controle remoto 
Ninguém viu 
Ninguém ouviu
Só nota-se quando a tampa é aberta 
Estrago feito, sem funcionalidade
Fadada ao descarte

Elemento químico que sei lá eu do que se trata

Elemento de alma que sei bem dos estilhaços


aracaju, março de 2018

notas sobre a doideira que é viver

É muito louco esse role de existir, né, de se fazer presente na sua própria vida, tomar as rédeas, buscar consciência. é muito extenso, é muito expansivo e essa expansão é como uma progressão aritmética – logo eu que sempre peguei D.P em matemática usando essa expressão, não era de se imaginar, de fato – e é disso que eu to falando. de ciclicidade uma palavra que eu talvez tenha ouvido ou lido em algum lugar, talvez tenha acabado de inventar, do alto de minha prepotência de quem inventa palavras que já existem? talvez. e como boa inventora de palavras existentes mas que não se contenta com a descrição do dicionário, é justo que eu a defina:

ciclicidade, na minha visão subjetiva, é o movimento da vida nas nossas próprias vidas. metalinguagem pura. é você estar aberto pra vida. e a partir disso você poderá experienciar de forma prática a ciclicidade.

a vida sempre vai nos trazer à um ponto onde já estivemos – ciclos -mas nunca olharemos pra ele da mesmo maneira. as vezes teremos consciência de nossa visão anterior sobre a situação que for dada em questão. talvez não. mas algo mudou. sempre muda. e sempre estará mudando. é sobre estar disposto. o fenômeno da ciclicidade só se da pra quem se deu, simples e clichê, assim mesmo. pode ser sinômino de evolução ou maturidade, mas é ainda mais amplo. é olhar com carinho, com bons olhos, pra tudo que já foi deixado pra trás por mais piegas que pareça essa história toda. ciclicidade é a digestão da fome de comer o mundo.

então

bom apetite

laudo

Há meses tento de alguma forma me esvair pensei que chorando talvez resolvesse não tenho lagrimas elas estão secas ou empedradas talvez ...